Conheça mulheres importantes que fizeram história no mundo da tecnologia

Fabiana Sousa | março de 2021

O mês de março é conhecido como o Mês Internacional das Mulheres. Apesar de estarem presentes desde os primórdios da tecnologia, muitas delas acabaram sendo colocadas em segundo plano ou pouco reconhecidas pelo simples fato de serem mulheres. 

A NeoAssist reuniu a história de algumas dessas personalidades que atuaram na área dos games, pesquisa, tecnologia e outras mais e deixaram seu nome registrado. Conheça essas mulheres inspiradoras!

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Ada Lovelace 

A primeira pessoa a programar foi uma mulher. Filha do poeta Lord Byron e da matemática Lady Byron, Ada esteve desde cedo imersa no mundo dos números. Entretanto, sua mãe, com receio de que ela herdasse a natureza poética e boêmia do pai, colocou-a desde a primeira infância para estudar matemática e ciências

Aos 17 anos Ada conheceu o cientista e matemático inglês Charles Babbage. Na época, Babbage convidou Lovelace a fazer a tradução de um artigo escrito por Luigi Menabrea, engenheiro militar e futuro ministro italiano. No artigo, Menabrea falava sobre uma máquina de calcular inventada por Babbage. 

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Créditos: WomenThatDid

Ada traduziu os arquivos, mas também acrescentou diversas notas que mais tarde ficaram conhecidas como anotações sobre o mecanismo analítico. Ela também foi responsável por classificar o algoritmo contido na máquina, conhecido como Sequência de Bernoulli, o que mais tarde se tornou o primeiro a ser implementado por um computador. 

Na época, Lovelace não encontrou nenhum mecanismo em que pudesse colocar seus estudos a prova. Entretanto, alguns anos depois, após sua morte, o algoritmo foi provado como correto. 

Em 2008, a Sociedade Britânica de Computação criou a Medalha Lovelace, prêmio dado a pesquisadores que desenvolvem grandes projetos relacionados a sistemas de informação. 

Grace Hopper 

Conhecida como “Incrível Grace” a analista de sistemas foi a primeira mulher a se formar na Universidade de Yale, conquistando um Ph.D. em matemática. 

Na década de 1940, Hopper foi uma das mulheres participantes no WAVES (Women Accepted For Volunteer Emergency Service), um setor criado pela Reserva Naval dos Estados Unidos destinado unicamente para mulheres. Apesar de muitos projetos e estudos, Grace foi recusada a participar dos projetos da Marinha regular, permanecendo na Reserva da Marinha. 

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Em 1949 ela passou a fazer parte do Eckert-Mauchly Computer Corporation, como matemática senior, integrando o time que desenvolveu o computador UNIVAC I. O aparelho foi o primeiro computador comercial fabricado e comercializado nos Estados Unidos, na época o aparelho custava mais de um milhão de dólares. No Brasil, o UNIVAC foi adquirido pelo IBGE em 1961 e utilizado para processar dados do censo.

Quando algo relacionado a equipamentos tecnológicos para de funcionar, você já utilizou o termo bug? Pois é, Hopper é apontada como a autora deste termo. Segundo a história, ela tentava encontrar onde estava o problema em seu computador, quando encontrou, descobriu que havia um inseto morto dentro da máquina. Hopper chamou o problema de “bug”, que traduzido para o português, significa “inseto”. 

Garotas do ENIAC

Desta vez temos um grupo de mulheres! Durante a Segunda Guerra Mundial uma equipe de pesquisa formada por 80 mulheres tinha o trabalho de calcular a mão trajetórias de mísseis e outros instrumentos de guerra. Posteriormente, seis foram selecionadas para participar de um projeto experimental cujo objetivo era programar o primeiro supercomputador totalmente eletrônico. 

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O principal objetivo de Kathleen McNulty, Mauchly Antonelli, Jean Jennings Bartik, Frances Synder Holber, Marlyn Wescoff Meltzer, Frances Bilas Spence e Ruth Lichterman Teitelbaum era interagir com o computador, com o intuito de que conseguissem programá-lo e colocá-lo em funcionamento. Elas lidavam diariamente com mais de três mil interruptores e botões que ligavam um hardware de 80 toneladas, tudo isso manualmente.

O ENIAC não ficou pronto para ser utilizado durante a Guerra, mas ganhou muita fama por sua funcionalidade. Com ele cálculos que levavam até 30 horas para serem feitos a mão, passaram a ser concluídos em segundos. O documentário The Computers, lançado em 2014, conta a história das seis mulheres mas também como elas foram durante muito tempo não relacionadas a essa grande inovação. 

Karen Sparck Jones

Karen é mais uma do grupo de mulheres criadoras que suas invenções estão presentes até os dias atuais. Nascida em 1935, Sparck trabalhou no Cambridge Language Research Unit e depois no Cambridge University Computer Laboratory, terminando sua carreira como Professora de Computadores e Informação.

Ela é uma das criadoras do conceito de “frequência inversa de documentos”. Em resumo, esse conceito analisa dentro dos textos os termos que mais aparecem, e cruzam essas informações com um sistema de filtro, mostrando a relevância dos termos para aquela busca. Esse conceito pode te parecer conhecido, não é mesmo? Pois saiba que ele é base dos sistemas de busca e localização, utilizados por empresas como o Google. 

Em 2008, a Sociedade Britânica de Computação criou o Prêmio Karen Sparck Jones, que reconhece profissionais da área de recuperação de informação. Em 2016, quem recebeu o prêmio foi Jaime Teevan, uma cientista da computação conhecida por, além da sua pesquisa sobre recuperação de informação, realizar estudos sobre a interação humano-computador. 

Carol Shaw

Mostrando que além de poder jogar, as mulheres podem também trabalhar com o desenvolvimento de games, Carol Shaw foi a primeira mulher a trabalhar na indústria dos games. Ela foi uma das funcionárias da Atari, uma das empresa responsável pela popularização dos vídeo games. 

Ligada no mundo dos games, Shaw passou a fazer parte da Activision, colaborando na criação e desenvolvimento de uma dos games mais conhecidos, o River Ride. Ela foi responsável por criar o primeiro sistema de geração procedural de conteúdo. No River Ride, nenhuma fase era igual a outra, os itens são substituídos de forma randômica, prática essa que ainda é utilizada na indústria dos games. 

Impressionante, né? Como as mulheres estão presentes nas invenções do dia-a-dia mas muitas vezes não percebemos. O mês da mulher tem o objetivo de lembrar e reposicionar essas mulheres, no mês de março e todos os outros, nos lugares de reconhecimento que elas já conquistaram e abrir as portas para todas as outras que virão.

Fabiana Sousa