Crise no Brasil Crise no Brasil

Como entrevistar candidatos me fez perceber a real e assustadora situação da crise no Brasil

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Crise no Brasil: ao desenvolver um processo seletivo exigente na NeoAssist, me deparei com uma situação real e assustadora. Neste artigo, compartilho algumas impressões que tive da experiência.


Crise no Brasil

Ver a crise no Brasil de uma perspectiva diferente me fez percebê-la com mais intensidade

Desde o ano passado fiquei com a incumbência de ajudar o nosso time a reestruturar a área de gente e fortalecer a cultura de achar novos talentos pra trabalharem conosco.

Obviamente, nos dias de hoje, pensar em cultura organizacional em um mercado tech, nos remete rapidamente a empresas como Netflix, Hubspot, Zappos e Spotify – e foi exatamente através destes exemplos que caímos de cabeça no assunto.

Preparando o processo seletivo

Ficamos mais de meio ano fazendo mentorias, visitando outras empresas e lendo inúmeros materiais e cases. Depois do dever de casa, tínhamos certeza de que a primeira missão estava cumprida: nosso novo processo de recrutamento e seleção estava “tinindo” para rodar em 2016.

Lá fomos nós. Treinamos todos os gerentes, explicamos a importância e começamos a fomentar o mindset sempre que oportuno. O processo é simples, mas exige execução, já que o funil tem métricas bem definidas e faz com que o real interessado por ter um ótimo time (no caso, os líderes de cara área) tenha que de fato por a mão na massa – se houver interesse, podemos repassar um outro artigo explicando nosso processo.

Alto volume de entrevistas

Eu especificamente sou responsável (junto com os sócios) por fazer a última entrevista individual para toda e qualquer vaga. Neste último mês entrevistei mais de 35 candidatos, enquanto os líderes de área que antecipam esta etapa fizeram tranquilamente uma proporção de 4 a 5 vezes mais entrevistas do que eu ou algum dos sócios.

Minhas impressões sobre a crise no Brasil a partir deste recrutamento

Na última quarta-feira discutimos alguns aprendizados sobre o novo processo (e que graças a Deus e competência do time, vem dando muito resultado) e o que mais chamou a atenção analisando a nossa base de entrevistas, foram os seguintes tópicos.

  • Tem muita gente boa e qualificada sem emprego. E o pior que não é apenas sem emprego, é há muito tempo sem emprego.
  • A crise traz à tona um clima de desespero. As pessoas, por melhores que sejam, estão chegando ansiosas e preocupadas nas entrevistas.
  • Muitos candidatos estão atirando para qualquer lado – ex: vieram para o Financeiro, mas aceitam Marketing.
  • O reflexo lá fora é tão grande, que tem muita gente super-qualificada aceitando ganhar bem menos e deixando isso claro no processo – no entanto, é importante esclarecer que em momento algum tiramos vantagem desta situação. Nosso objetivo, enquanto uma empresa anti-cíclica em meio a crise, era contratar os melhores profissionais, de acordo com suas qualificações.
  • Junto com o “desespero”, as pessoas estão ansiosas e consequentemente inconvenientes (e não há nada de errado com isso, apenas para deixar claro).
  • De tanto que uso o Uber, tenho a impressão de que, a cada 5 motoristas, 4 perderam o emprego ou estão fazendo bico para o “extra”;

São visões simples e até certo ponto óbvias, mas talvez por eu não ter uma memória tão “fresca” da era Collor, resolvi colocar no papel a impressão sobre a crise no Brasil após uma amostragem relativamente grande de contato diário com o principal “alvo” da crise: a população.

Pela primeira vez na vida tive um lampejo da amplitude da crise no Brasil muito próxima a mim, o que causou e ainda causa medo. Poderíamos entrar em uma discussão mais filosófica atrelando ainda as outras inúmeras variáveis que atrapalham o povo brasileiro, expor toda a nossa revolta partidária e política e criticar a educação do Brasil. Mas ainda acho que se há uma maneira de mudar, é fazendo.

Embora seja justo fazer as críticas, aqui, na Neo, ainda estamos pensando e de fato crescendo, gerando oportunidade de emprego e riqueza e, ainda, por mais difícil que seja, acreditando que dias melhores virão.

 

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