LGBTQIA+ no mercado de tecnologia: o que mudou?

Coletivo Mergulhar | junho de 2020

Chegamos no mês do Orgulho LGBTQIA+. Em grande parte dos países, essa comunidade já conquistou vários direitos ao longo da história. Porém, ainda há um grande caminho a ser percorrido na busca pela igualdade. Confira agora como o recorte LGBTQIA+ está representado no mercado de tecnologia e o que as empresas podem fazer para aumentar sua representatividade.

A história da luta LGBTQIA+

LGBTQIA+

Você sabe por que junho é considerado o mês do Orgulho LGBTQIA+? 

No dia 28 de junho de 1969, teve início a chamada Rebelião de Stonewall, no bar Stonewall Inn, em Nova Iorque. O acontecimento foi responsável por desencadear várias manifestações contra a repressão policial e as políticas anti-LGBTQIA+ nos Estados Unidos.

Como consequência, todo o episódio representou um grande marco no movimento de libertação e luta pelos direitos dessa comunidade. Porém, mesmo com a conquista de várias causas, o preconceito ainda está muito presente. Principalmente quando entramos no cenário do mercado de trabalho e, mais especificamente, na área de tecnologia.

Segundo um estudo de 2016 do Center for Talent Innovation, 61% dos colaboradores LGBTQIA+, no Brasil, não revelam sua orientação sexual no trabalho. Além disso, 49% afirmaram que não escondem, mas também não falam abertamente sobre o assunto. 

Esse cenário revela que a luta em busca de igualdade deve não só continuar mas, também, ganhar força e visibilidade. É sobre isso que vamos falar no tópico a seguir.

Existe representatividade LGBTQIA+ no cenário da tecnologia?

Como falamos, o mercado de trabalho ainda é muito desigual para os membros da comunidade LGBTQIA+. E o cenário mostrado pela pesquisa acima tem suas raízes em um passado marcado pela intolerância.

Antigamente, os membros desse recorte não eram livres para expressar seu gênero e orientação sexual. Assim, para conseguirem ingressar no mercado de trabalho, se escondiam embaixo de “personagens” socialmente aceitos. Principalmente, quando analisamos o cenário de tecnologia, ainda considerado um ambiente majoritariamente masculino e heterossexual.

Personalidades LGBTQIA+ na tecnologia

Apesar de toda repressão e preconceito, podemos citar algumas personalidades LGBTQIA+ que se destacaram ao longo da história:

Alan Turing

Britânico conhecido como o pai da computação, Alan Turing desempenhou um papel essencial no desenvolvimento dessa ciência e foi o responsável por criar a Máquina de Turing, importantíssima para a invenção do computador moderno. 

Ainda, ele foi pioneiro na área de Inteligência Artificial e o responsável por planejar uma série de técnicas para quebrar os códigos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial.

Tim Cook

Empresário estadunidense e CEO da Apple, desde 2011, Tim Cook é apontado como um dos grandes responsáveis pela reestruturação da empresa em seu período mais crítico. 

Além disso, ele também trabalhou por 12 anos na IBM como diretor e representa uma das maiores influências LGBTQIA+ no campo da tecnologia.

Sofia Kovalevskaya

Russa e primeira lésbica assumida a trabalhar com tecnologia. Por isso, Sofia Kovalevskaya é uma figura extremamente importante para a representatividade na área de exatas. 

Suas contribuições para a teoria das equações diferenciais parciais ainda são referência nas disciplinas de cálculo.

Edith Windsor

Foi uma americana ativista de direitos LGBTQIA+ e gerente da IBM por longos anos. 

Ainda, Windsor foi a principal responsável no caso que anulou a Seção 3 da Lei de Defesa do Casamento – que reconheceu o casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos.

Lynn Conway

Cientista da computação, engenheira e ativista transexual estadunidense. Além de receber os créditos pela invenção da instrução de manuseio dinâmico generalizado – utilizado por quase todos os microprocessadores modernos para melhorar seu desempenho – Lynn Conway também atuou no desenvolvimento do VLSI (Very Large Scale Integration). 

Na década de 60, trabalhou para a IBM, mas foi despedida alguns anos mais tarde, após revelar que planejava fazer a transição de gênero.

Antes de mais nada, é fundamental destacar a grande dificuldade de encontrarmos LGBTQIA+ pretos e transexuais na lista. Isso revela que, mesmo dentro desse recorte, as características normativas ainda recebem um foco e uma representatividade muito maiores.

Dessa maneira, é importante ter personalidades como essas em nossa história para que sirvam de inspiração para toda a comunidade LGBTQIA+. E é por isso que a representatividade é tão importante, tanto no mercado de trabalho, quanto na área da tecnologia.

Assim, os membros desse recorte podem almejar ocupar grandes cargos no campo tecnológico, sem esconderem quem, realmente, são.

E o que mudou?

LGBTQIA+ & representatividade

Diferente das décadas passadas, hoje, a comunidade LGBTQIA+ tem um espaço maior. Um exemplo disso é o aumento dos membros desse recorte em startups e no mercado de tecnologia.

No entanto, é preciso ampliar sua representatividade nas empresas e oferecer a seus integrantes maiores oportunidades de crescimento. Isso porque o número de líderes que pertencem a esse recorte ainda é mínimo.

Além disso, a ausência de um censo demográfico também dificulta o entendimento das reais falhas no ambiente corporativo. Assim, a cultura de aceitação é “pregada na parede”, mas, muitas vezes, não é vivida.

Por fim, a diversidade ainda é pautada por uma normatividade cisgênero e masculina. Então, a dificuldade das mulheres LGBTQIA+ é maior, principalmente para transexuais e travestis. 

Desse modo, concluímos que ainda há um longo caminho a ser percorrido. Tanto em direção à visibilidade e representatividade, quanto à igualdade de oportunidades para a comunidade LGBTQIA+. 

O que as empresas podem fazer para aumentar a representatividade LGBTQIA+?

O primeiro passo para aumentar a representatividade LGBTQIA+ nas empresas é saber que a falta de diversidade é um problema. Dessa forma, quando não há uma cultura organizacional diversa, as marcas dificilmente conseguirão manter colaboradores também diversos.

Além disso, criar comitês de diversidade é uma tarefa fundamental para manter um ambiente saudável e mais justo. Não se esqueça de que eles devem ser formados por membros das minorias, como é o caso dos LGBTQIA+. 

Lembre-se também de que somente quem possui determinadas vivências sabe o que pode ser feito ou não. Por isso, contar com representantes de cada recorte no comitê é essencial para produzir pautas realmente assertivas.

Desse modo, todos os processos internos da empresa também devem ser pensados em favor das causas LGBTQIA+. Só assim será possível expandir seu repertório para novas ideias e vivências.

Portanto, ao se conectar de forma mais assertiva com os colaboradores, sua marca também tende a se relacionar melhor com os clientes. Isso, pois um bom ambiente de trabalho é um dos principais fatores responsáveis por manter a motivação e, assim, a felicidade dos funcionários. Ao final, todos os seus resultados – tanto internos quanto externos – serão melhores.

LGBTQIA+ & tecnologia

Causa LGBTQIA+ e NeoAssist: o que estamos fazendo?

Dito isso, nós já entendemos a importância de trazer mais representatividade LGBTQIA+ para dentro da NeoAssist. Por isso, iniciamos essa jornada com a criação de um comitê de diversidade: o Coletivo Mergulhar – que contaremos mais detalhes para você logo logo. 

Nosso Coletivo atua, inicialmente, em três grandes frentes: Mulheres, Pessoas Pretas e Comunidade LGBTQIA+. Além disso, somos divididos em três projetos: atração de talentos dos recortes escolhidos, retenção de pessoas e liderança inclusiva.

Desse modo, um dos nossos objetivos é incluir pessoas LGBTQIA+ na Neo. E acreditamos que, através do comitê, conseguiremos alcançá-lo com mais assertividade. Assim, não basta apenas contratar as pessoas deste recorte. É preciso garantir um ambiente confortável e seguro para que elas se desenvolvam e se sintam acolhidas para serem quem são. 

Por fim, também acreditamos na importância de uma liderança representativa. Portanto, queremos desenvolver pessoas que sejam inspiração para os integrantes dos recortes e, com isso, também trazer inovações para a empresa.

Quer conhecer mais?

Se você deseja saber mais sobre o recorte LGBTQIA+ no cenário da tecnologia, acompanhe comunidades como Todas as Letras (LGBTQI+ in Tech) e LGBT Tech Brasil.

Elas apresentam e abordam o recorte dentro da área de Tecnologia da Informação (TI), além de dar suporte aos integrantes e entender como esse ambiente pode se tornar mais inclusivo.

Esse artigo foi escrito de forma colaborativa com Arthur Leme, Gilberto Dias e Rafael Fernandes com todo o apoio da nossa redatora Maria Vittorello.

Coletivo Mergulhar